terça-feira, 30 de agosto de 2011

NÃO MAIS

Nunca mais,

Não mais,
Deixarei de viver as alegrias,
Porque, agora, assim vivo,
Inconstante nesse fútil caminhar.

Ao vento vario, hei de combater,
O silêncio das sombras, abater,
A enfunada claridade da desfolhada paisagem,
Da alma cansada,
A voz, desolada afastarei.


Destarte comovida
Carecendo de muito brilho
Empoleirada à luz da lua generosa,
Te, aguardarei,
Divina fonte, balsâmica essência te sugarei.

Meu longo vôo,
Alvissareiro, adejo,
Meu infinito, sonho,
Abaixo do sol serás, meu rochedo sólido
Que ao céu do meio dia me abrigarei.


domingo, 28 de agosto de 2011

TEUS PASSOS

Sob teus passos
A luz em meio
Fosfórea alumia
Estrelado, o luar prometido.

Move-se o tempo
Ensaia milhares cantares
Soergue singulares altares
E canta antigas cantigas.

Sombra fantasma, o vento,
O cio das flores abriga
Assustado chora
E vergado em cantaria vibra.

Como um facho, com graça a vida passa,
Misturando apurados,
Soberbos traços
De um mundo em pedaços.

Ligeiro adejo
Brejeira opereta
Retalhado ninho de glória,
O mundo há de ser sempre

A luz que flutua
Régia quimera sob teus passos.




sábado, 27 de agosto de 2011

AQUI E AGORA


O melhor momento é este, o aqui e o agora.
Partícula do tempo, disponível e única.
Intransferível essência de vida.

O passado e o futuro
São imagens, recordações , saudades e sonhos.

O que vale neste momento
É o momento que a vida nos brinda.
Impulso
Acalanto
Mistério
Sonhos
Esperanças
Alegrias
Dores quem sabe?

Vivê-lo em plenitude
É magia
É dádiva generosa
Parte do desconhecido
Que nos impulsiona
A um novo tempo
A um novo porvir
Ao amanhã desconhecido
Aurora resplandecente.

Perplexo mistério – o depois
Quem sabe !

O que vale é o aqui e o agora.

 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

MEU CANTO ERRANTE



Meu canto errante, vôo peregrino,
Rola teu tempo e de céu e sóis te faz.
Dedilha tuas sinfonias, guarda tuas cores,
Ébria sombra, tênue fibra
Descambas, ao léu dono do teu destino.

Herói solitário, indômito vagas e afloras,
Trazendo sons em cantaria
  Que em vão teces de poesia e boemia
Como, diáfana luz, no espaço, sonhos desenrolas,
E os arrostas, além do infinito.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

VEM COMIGO



Vem comigo
Esquece o tempo
Vem com tempo
Vamos sair por ai...

Sem pressa
Vem comigo
Fazer desse dia um soneto
E mesmo sem ter um coreto
Cantaremos uma canção.

Guardaremos na sacola
Incertezas e tristezas
Tingiremos as janelas
Coloridas aquarelas
Em arte hão de se tornar.

Como parte do cenário
Sol, brilho e francos risos.
Cadeiras nas varandas
Com cores  e aromas de lavanda.
Os sons serão como músicas
E nossos passos, passos de dança.
Vamos fazer desse evento uma festa
E dessa música uma orquestra.

Cota rara,
Em alvoroço,
Juntos neste dia
Plantaremos nossos sonhos
Realçando a natureza.

Vem comigo
Esquece o tempo
Vem com tempo
Sem pressa
 Haveremos
Companheiros de  jornada
Só encantos encontrar.

Vem...
Vem fazer desse tempo
Com tempo
Um novo momento.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

SEGREDOS ÍNTIMOS -SEI QUEM EU SOU


Desato o tempo , a sombra passa e a dor acalma.
Entre desejos e  esperanças crio um ponto de luz .
Guardarei aqui comigo este abrigo.
Tecido o ninho, me enleio, me emaranho - quedo-me absorta , muda e me abandono segura e leve à este meu sonho lindo.
Por cima do  sonho vou riscando poemas no coração para adornar a alma e preencher suas frinchas de ânsia de infinito.
Sou quimera, sou vida repartida, sou sol, sombra, flor que finda e espaço estrelado. Sou audácia, sou aroma, alma encantada, peregrina e iluminada. 
Sou mulher - sonho outra vez.
Sei quem eu sou .
Isto me basta.



sábado, 20 de agosto de 2011

HINO DE AMOR


Hino de amor pode ser uma morosa canção
Um poema, ou mesmo um espaço no coração.
Hino de amor pode ser a dor de viver sem você,
As saudades, ou mesmo a consciência da ausência.

Hino de amor pode ser um momento de encanto,
No, entanto, um olhar pode ser.
Hino de amor pode ser o ter e o sentir você
Um abraço, ou mesmo a tristeza do adeus.

Hino de amor pode ser um sorriso,
O silêncio, ou mesmo o inicio ou o fim da paixão.
Hino de amor pode ser o expresso sentimento confesso,
A liberdade, ou mesmo os elos da união.

Hino de amor pode ser teu lindo corpo se exaurindo,
Ou, mesmo o desejo de um louco beijo.
Pode ser um gorjeio, creio,
Ou, mesmo, a graça de um vago sonho .

Hino de amor pode ser a sonora música triunfante,
Ou, mesmo um instante de você distante.
Hino de amor que me faz poeta e de você meu lado outro,
Só, pode ser, para meu espanto, meu próprio canto.



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SUTILEZA



Transfigurastes de luz teu sorriso
De ternura e encanto vestistes tua alma
Dividindo na tarde alada e calma
De surpresa, comigo o teu coração.




CRENÇAS


Se te despires das enraizadas crenças
Sustento lento e misterioso
Que aprisiona teus parcos sonhos,
E em vão recolhe e oprime tua alma,
Purificado, em fausto, sobreviverias.

Se vieres de improviso
Inflamado e vicejante
Sem esse sorriso triste, que insistes,
Puro paraíso, tocante riso,
Como balsamo de luz, te tornarias.

Se, ao te ver, tão outro,
Embora, afora esse teu novo brilho,
Por mais amor
Pudesse eu, quem sabe agora,

 Dividir contigo, essa alquimia.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A VIDA

Soberana majestade, caprichosa, inquieta, ávida ou generosa, a vida, seiva pura singular vai cumprindo inabalável, o seu papel.                    
  Sempre à frente ampliando os horizontes, multiplica seus caminhos, ostentando a sua força, reentrando nos mistérios - indivisíveis mistérios - solitário firmamento.
                        Fecunda alma – flores sem fim, estranho e belo sol,  desvarios, amor, paixão, compaixão e delicadeza - emotiva serenidade.
                        Essência pura essência – floresce ou esmaece. Percorre caminhos inexplorados garimpando seus lindos sonhos. Mundana ou iludida, desprevenida ou firme e segura – força oculta misteriosa - bela Senhora.
                        Companheira permanente, eterna e sempre nova, vagando e entrelaçando os infinitos fios que vão, silenciosamente, tecendo a trama transitória que nos acompanha rumo ao desconhecido.
Parte dela, eternos peregrinos que somos - ao seu lado caminhamos.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ESBOÇO



Traça, retraça
Comprido traço.
Desliza e reforça
Busca em branco espaço
Compor os traços
Longe dos braços
E dos abraços.

Passo a passo
Com  graça
Esboça
Desenha
Retraça os traços
Cria  o retrato.

Sem pretensão
De perfeição
Cativo Coração
Rompe as saudades
Traço a traço...



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

TRIBUTO AO MEU PAI

 Através deste texto que expressa meu amor filial, faço minha homenagem ao meu pai neste Dia                         
                       
  Hoje vi enterrarem meu pai.
Diante do inevitável – impotente deixo-me embalar pela dor profunda que inunda, aperta e sacode a alma.
Que poderosa ligação é essa que existe entre eu e meu pai que leva, agora, junto com sua vida um pouco da minha?
Desencadeadas as lembranças – entorpecida pela sensação da solidão da perda, rendo-me à soma da ternura contida nos gestos e nos ritos de outrora que consolidaram o amor e o respeito a esse homem-meu pai, que aos noventa anos, completa, neste dia, nesta hora, seu ciclo de vida e se transforma em saudades.
Comovida, presto meu tributo de amor e orgulho filial à sua honestidade, à sua lealdade, seu senso de justiça, á disponibilidade e a generosidade, impressas no seu carinho ao próximo e, ao incondicional amor dedicado, a nós seus filhos – virtudes que lhe eram inerentes e que permeadas ao longo do seu tempo fizeram-no um exemplo de homem sábio e bom.
Descanse em paz meu pai!
Que as lições contidas no decorrer de sua vida sirvam de esteio às gerações que se sucedem e sejam, sobretudo, a luz que iluminará o seu caminho em direção a Deus e a morada eterna.



MEU CANTO

Pego as palavras

E crio asas

Ébria, errante, infante,

Vestindo celestes vestes,

Estranha habitante

 Desse universo brilhante

Alço etéreos vôos

Adejo, e eternizo,

 Meu canto de amor.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

POR TI

Por ti, eu me fiz atalho,
Vereda, aléia, margem de caminho,
Agreste rota
Que a florir de sol se doura.
Por ti, eu me fiz estrela,
Esfera plácida que ilumina
Dá brilho e consome a vida.
Por ti, eu me fiz aragem,
Lento vento, doce brisa,
Volátil beijo e sutil desejo.
Por ti, eu me fiz mulher,
Embrulhei meus sonhos
Juntei-me a ti.
Dos sonhos me fiz poeta
Lira pura, serena prece,
Chegada e fim.

Por ti tornei-me espera,
Por ti eu me fiz amor.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SELO COMEMORATIVO 10.000 VISITAS




Festa! Brilho alvissareiro, encantadora caminhada que ensina o verdadeiro sentido da vida – a partilha, divisão do tempo e dos sonhos.
Obrigada a todos vocês que aqui vieram e de fragmentos em fragmentos foram bordando e enlaçando com matizes e nuances delicados, a minha história, tal qual colcha de retalhos em mãos de experientes bordadeiras aprendendo a arte de fazer da vida sempre uma arte.
O selo comemorativo é um modesto mimo que fiz com carinho para todos os meus  amigos visitantes.


domingo, 7 de agosto de 2011

SEGREDOS ÍNTIMOS -SOU TEIMOSA


   Sou teimosa.
 Não me deixo abater pela capacidade que tenho de me decepcionar. Tecer calmaria na alma, no meio de um grande vendaval é a virtude que me aproxima do bem estar.
Meu modo particular de enxergar o mundo cria rotinas de tolerância e condescendência. Talvez seja uma espécie de proteção e de superação para encarar os dramas reais de dor e redenção.
  Nesta costura entre a rotina lenta e previsível, anonimamente, vou forjando meus laços e meus abraços.  Embalar o coração num doce aconchego para furtar-se de grandes dores é a sutileza que acalenta a alma e ajuda a estender as mãos ao encontro de outras mãos.
   É  disso que preciso para criar vínculos reais e sólidos.
 A sensação boa, descabida, injustificada, misto de aceitação, interação, perspicácia,  inteligência , infatigabilidade  e  honestidade que lapidam novos e sutis ciclos. Nada é definitivo na vida. Depende das  opções, dos momentos, dos sentimentos e do olhar.
  Se o ritmo dos passos forem imprecisos resta articular e acertar ao longo da caminhada.
 Tudo isto, no seu tempo, em silêncio e  em harmonia com a mente e  o coração.




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

BUSCA


Eloquente alma
De uma poetisa sonhadora
Noctívaga, vais a esmo,
Buscar tua inspiração.
Entre tons e versos
Em apoteose arrastas
Vívidas e enclausuradas lembranças,
E retraças, palmo a palmo,
O vivo sentimento que de tanto encanto, te restou.



terça-feira, 2 de agosto de 2011

NEM SEMPRE


Nem sempre o bastante é o suficiente
E o poder do amor, primavera.
Nem sempre o sorriso é o bálsamo da procura
E o estar só, caminho solitário.

Nem sempre a aurora peregrina é luz divina
E o tempo, perfeito lume.
Nem sempre o carinho é festa
 E a mão, um gesto terno.

Nem sempre a noite é estrela guia
E a escuridão, perfeito esconderijo.
Nem sempre o lamento é um grito
E a música, uma visão sonora.

Nem sempre o coração é cadenciado solo
E o encanto, um belo sonho.
Nem sempre a poesia é uma quimera
E saudades, uma simples espera.

Nem sempre o gozo é rima fulgida
E o corpo, delírio puro.
Nem sempre a vida é seara abundante
E os caminhos, veredas repousantes.

 Nem sempre o olhar é um sobejo beijo
E a alma, gentil e luminosa.
Nem sempre o efêmero é curto espaço e prefácio
E o eterno, verdadeiro.

Nem sempre o orgulho é fonte cristalina
E o que nos falta, a nós escapa.
Nem sempre a ilusão é fantasia indefinida
E as sombras, uma nuvem perdida.

Nem sempre o amor é insano
E a dor, perda ou dano.
 Mas sempre é sublime canto
Hora da aurora - augusto e muito humano.