sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Crônica; A Praça

Praça XV de Novembro/Florianópolis/SC  e sua  Figueira centenária

Não sei se sou eu, ou o próprio dia. Só sei que o destino vagando, sem aparato, despreocupado partilha comigo as suas benesses.
Da janela, onde estou, vejo a praça lá fora. Estranho, penso eu, não ter feito um dia, o que invejo agora. Sentar num banco, nesta mesma praça, e deixar o tempo escorrer vendo o burburinho da vida passando.
Enterrar o rosto na ensolarada tarde fagueira e sobranceira, e fazer brotar, espontaneamente, um monólogo interno com a vida - apaixonado escrutínio - perfeito texto da criação.
Apreciar o cortejo, faina diária constante, este ir e vir apressado das pessoas – singular evolução - evasão de cores derramando suas tintas, induzindo-nos à suavidade e subjugando-nos a enfeitar os parapeitos da alma inacabada.
Na revoada, na debandada dos pombos e no aroma misturado ao perfume das flores engalanadas, sentir a luxúria e a ternura presentes na natureza.
Espiar os rostos, as rugas e os sorrisos francos dos jogadores de dominó, curtidos pelo tempo, entrevendo a alegria sentida nestes doces momentos de desafio, que a vida lhes brinda, ainda.
Conforto gentil, mão divina, perpassa, poreja, agasalha, ilumina e gorjeia seus cantos de amor.
Lá fora, flautistas anônimos, em sintonia com este momento, deixam manar, verter, fluir através dos seus instrumentos, como carícias generosas e afinados sons que aliviam a tensão do tédio e da letargia imposta pelo improdutivo dia.
Deixo na morosidade do momento, impregnar-me pela serenidade dessa harmonia que ao meu espírito soergue e vai pelos desfiladeiros da mente transformando-se em infinita paz.
Sons fortes ou cristalinos, enflorados ou indefinidos, emprestando asas lilases ou, de quaisquer cores, não importa, o que vale é o atrevimento de dar saltos à imaginação.
Momento ímpar este, que nos permite deixar de lado a mediocridade e suavizar a couraça da solidão – um reinado de suaves sentimentos inimagináveis.
Consoladora arte, dom predestinado que nos faz coadjuvantes e cúmplices da essência da beleza - transcendência de puro êxtase.
A música sempre me fascinou e com certeza, também, a todos os que se agrupam em torno dos músicos que, através de suas flautas derramam os fluidos sons, trescalando e magnetizando o ar. É como se fosse estar em lugares outros e o destino fosse menino e nós todos, os afortunados, a voltear brandos, em outras esferas e eras.
Algo sagrado que comove e vai penetrando através dos músculos e do sangue a nos levar além, em plagas outras, transformando nossa alma num lugar seguro e precioso, onde os anjos possam vir a descansar.
Amplitude invisível, círculo perfeito de repouso, catarse purificadora, a música, com certeza, realça regiamente, com lirismo, o longo poema da vida que escrevemos.
Intocado, ilibado e velado sentimento percorre as sinuosidades e as silenciosas veredas da alma e dominado pela cena perfeita, imprime ardilosamente, passageiro e cauteloso otimismo, pois, toda beleza tem limites sobre nós.
E, assim, remida do quinhão da solidão, entusiasmada abro a janela e deixo entrar, com plenitude, o barulho animado dos passantes e a lírica melodia – dádiva e eloqüente afirmação de que nos requintados ou solitários momentos da vida sempre existirá a sombra protetora e o amparo de um Deus generoso.
Poesia sem palavras, feita guerreira dos ventos ou como Rei Midas, quero, mesmo que em pensamento, ali nesta praça, transformar o monólogo em ouro estabelecendo um diálogo com a vida, e em homenagem a beleza insuperável do momento, inundar meus sentimentos à luz gloriosa dessa tarde feiticeira.
  

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O QUE TE PEÇO


O que te peço é diferente
Das indiferenças que permeiam o dia a dia
Dos sonhos reprimidos, resguardados,
 Que maculam sentimentos enclausurados.

O que te peço é diferente
Das beiradas condescendentes, deliberadas,
Dos filamentos suaves e inexplicáveis
Girando solitários à deriva, invioláveis.

O que te peço é diferente
Dessa paixão pacífica, confortável,
Energia vital indissolúvel
Durável, mas indecifrável.

O que te peço é diferente...

É a generosa sensibilidade
É a órbita, o giro, a bem – aventurança,
É o preciosismo, o fogo, a chama,
É a entrega, o brilho e o sonho.

domingo, 25 de setembro de 2011

AMOR


Amor

Doce necessidade

Fervor, paixão, destemida.

Profunda enraizada

Indestrutível, insubstituível,

Sem limites.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

MEUS VERSOS


Num assomo, ensaio versos.
Visto – me, de silêncio, me enrolo sonolenta e no meu melhor momento me encho de sois e despejo auroras.
Pego carona na solidão, refugio-me no escuro, e na calma deixo-me alimentar por meus sonhos.
Espreito a vida, afago a alma e arrebatada, coloco no palco, em cena, meu coração.
Junto as palavras dispersas, olhos banhados de estrelas, asas ao vento,  esbanjo e tempero minhas emoções.
Traço o enredo, desvendo temores, certezas e incertezas , cerro portas , abro janelas, busco o alento, a paz , a luz, as lembranças, e guardo minhas dores.
Remexo nas palavras, trago para perto o sonho que fecunda à luz tamanha e, em harmonia, penso em você.
Sorvo este encantamento e deslumbrada,
exponho-me, teço meus versos e imortalizo um sentimento de amor.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

QUEM DERA



Quem dera abraçar o vento

Voltear no tempo
Escolher atento o alento
Daquele perdido momento.

Quem dera ser mera aspirante
Sedutora solicitante e insinuante
Desse galante e provocante momento
Que cismo em reviver outra vez.

Quem dera que a severa espera
O desejo inerte desperte
Ardente, a chama acesa se alastre,
Tingindo de cor e paixão o sonho da reconquista.
 



domingo, 18 de setembro de 2011

SOMOS VULNERÁVEIS



São momentos em que a vida pede passagem e nos arrasta irresistivelmente para o seu lado mais obscuro.

Estranha rota, fundo de paisagem, nos recolhemos, enquanto abrigamos inconscientes, oscilantes, o nosso equilíbrio.

O silêncio é o companheiro que nos segue neste caminho,  inseguro, e  nos carrega à um mundo desconhecido de incertezas e indagações.

Demolimos nossos sonhos, recolhemos nossas asas e inertes diante da vida, somos temeridade e fragilidade.
Roubaram de repente nossa luz.

Em conflito, na luta pela sobrevivência da essência, somos descompasso, somos fundo de quintal.
Levamos nas palmas das mãos as sombras que pairam na nossa alma.

Em desamparo, abraçados no tempo, vestidos de silêncio e retalhados sob este mundo escuro e quieto , desprovidos, aguardamos a alma renovar.

Na vida sempre haverá subidas e descidas, começos e recomeço.
É da esperança que a vida flui e faz do eterno tempo a trama da nossa história.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Loucos Sonhadores


Comemoro a marca de 15.000 visitantes.Você faz parte desta festa . O texto publicado é em sua homenagem.



Encantada, alma entusiasmada, de presente embrulho meus carinhos num lindo laço de festa e carregada de felicidade deposito em suas mãos estas flores.

Todo instante é a oportunidade.
A vida não é nem um melodrama, nem uma comédia, mas sim uma realidade que nos leva a crises e remissões. A verdade não nos abandona, é tangível.

Mas loucos sonhadores deste mundo, peregrinos que somos, fechamos os olhos, abrimos passagem e levados pela vida, extasiados, seguramos nossos sonhos.

Seguimos o curso, em movimento, enquanto o destino,  caprichoso, vai dando  sentido as nossas ilusões.

Deixamos janelas e portas abertas para o improvável, misturamos beleza, pescamos estrelas, corremos com as nuvens, plantamos flores na beira do caminho,bordamos versos, afastamos sombras, correntes de ar e turbilhões de vento . Fazendo esta mistura de cores e dores, colocamos todo universo em uma palheta.

Em estado de graça vamos partilhando doces sensações e  músicas interiores que assobiam sinfonias inéditas para que o  tempo nos  leve no rodopio de uma dança inesquecível.
Somos versos, delírio, esperança, suavidade, nostalgia e sentimentos.
Somos paixão, amor, saudosismo, visão, antídoto, mistério e somos palavras, razão pura que nos une.
Somos poetas, carregamos no peito a eterna poesia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

SENTIMENTO



Curvas teus ombros que te pesam

Arrastas teus passos gastos.
Solitária criatura, te escondes, te fechas.
Figura perdida e subjugada, te tornastes.

Abrigas teu corpo, alquebrado,
 Vigias a vida com olhos cansados
Desesperançado, o derradeiro tempo, consomes.
 Sem brilho, sem rumo, resignado, te perdes.

Segues a vida sem sonhos,
Esqueces que o sentimento desconhece o tempo,
Que o encanto é permanente
 Que o brilho não tem idade - simplesmente acontece.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

FRAGMENTOS


São a luz do dia, são pedaços de tempo  e desenhos do infinito .

São breves instantes que vibram e equilibram o calmo balanço da vida.
São brisas passageiras, o silêncio da prece que se ouve ternamente e as finas teias  borrifadas de encantamento.
São os pequenos gestos e a tépida carícia do amor imerso em ternos momentos
São surpresas inesperadas , felicidades  enfloradas e cingidas da luz trazida.
São a doçura que abre o riso e a eterna graça que sustenta o retalhado coração que chora.
São a paz que espalha aos ventos matizes de infinitas cores e a calma lenta, que serena, ao céu se esconde.
São as auroras plácidas que mansas vagueiam, a beleza abrasada e amante, que soberana reina no coração.
São o amplexo da vida que vibra,ama, reparte, espreita, deleita e eternamente faz da alma - Esperança.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SEGREDOS INTIMOS - Tudo Vem, Tudo Passa




Tudo vem, tudo passa.
É em sequência que a vida caminha e acontece.
Guardo os amores, as alegrias passadas, as lembranças, as saudades, os risos, às dores  e...espero.
Pendurada no tempo sorvo a luz que emerge e entreabre novos horizontes. Por entre as frestas ouço o silêncio. Talvez seja apenas o meu desejo.
A alma, qual vento preguiçoso, em passo lento, embala os sonhos, para em repouso encontrar a calma e o alento.
Mansamente, retalhada, pássaro no ninho, em torvelinho, eivada de esperanças, ajoelho-me diante da vida enflorada. É como o sol que vai surgindo, e cresce.
Estranha rota, arte humana ou divina, sem defesa, quedo –me,   e sinto o infinito beijar minhas mãos.
Desembrulho meus versos, sou serenidade.
Abraço o mundo com as mãos recheadas de flores e entôo  uma nova elegia. Busco uma nova chance. Aprendi a viver
No fim de tudo – sonho outra vez. 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SEGREDOS INTIMOS - SIM - EU QUERO

Sim, eu quero um instante, a mansidão que inunda a lua sutil e docemente, entre o perfume e a flor.
Quero a alma amorosa, o trêmulo carinho para que no abandono seja leve como a brisa no fim de tarde.

Sim, eu quero um instante, o delírio do sonho que flutua em céus ilimitados , tece, esmaece, cria e fecunda a utopia.
Quero o olhar que enlaça, sopra , enfeita a alma, embala e preserva o momento.

Sim, eu quero um instante, o cantinho melhor do mundo, o repouso, a alegria por vezes fulgidia, a espontaneidade que abre o riso, espia a alma, encanta a vida e alimenta os sonhos.
Quero um mundo transparente e desdobrado, rio do tempo, banhado de luz para transfigurar a noite que habita o coração.

Quero salpicar de sóis e pintar de cores o meu caminho para emoldurar de céu esta aquarela.
Sim, eu quero um instante, celebrar a vida com estrelas e poesias e fazer desta festa um compromisso de felicidade.
.


Quero fazer do imaginário um laço irresistível de vibração para deixar no rastro um longo adejo e um terno beijo.

Sim, eu quero um instante, fazer da vida doces reencontros carregados de versos iluminados e de poções mágicas para inundar a lua e guardar dentro dela toda a eternidade.



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

SEGREDOS INTIMOS - COMO SEMPRE FOI


Fui à busca do aconchego suave das tuas mãos.
Procurei, não encontrei.
Então, aqui fiquei à espera como sempre foi...
Sequei meus sonhos, enrolei meus gestos, coloquei meu sorriso nas abas do universo e ali fiquei a espera como sempre foi.
Sou como a natureza que aguarda o orvalho para deixar a vida florescer.