terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PREVISÃO PARA O ANO NOVO


Este ano
Seremos todos profetas
Levaremos na bagagem
Passageiros dessa viagem
Bons presságios
E a magia de passagem.

Seremos bem mais que um
Janelas
Portas abertas
Deixar a vida adentrar.
Levar em frente
O que se sente
Espontaneamente.

Riso sincero
Mãos limpas
Inocente caminhante
Com destreza, sem tristeza
Nesta estrada
Desarmados andaremos.

Seremos o abrigo
O eterno amigo.
Em prece
A bússola guia
Em todas as vias.
Alicerce e complemento
Em todos os momentos.

O sonho acordaremos
Miragens e muitas imagens.
Seremos a estrela que brilha
O sol que aquece
Que nunca esquece
No ciclo perene
De dar a lua
A noite sempre sua.

Seremos o lume
Lampejo imune
No sombrear do tempo
Em tempo clarear.

Seremos a calma
O sono, o porto seguro
O fruto, a flor,
A obra, a ação
E toda criação.

O silêncio
Não será inquietude, nem claustro
Só beatitude
E nesta atitude
Mansa e leve
Viverá a paz.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nesta época de Natal, de um novo ano, de renovação , de reflexão, de esperança, de novos sonhos, dedico esta prece à vocês, meus amigos e seguidores.


Prece


Que o não seja, a partir de agora, a palavra da liberdade e da opção;

Que o sim venha possuído da força do coração e que a aquiescência seja a fonte da razão, da emoção e da paixão;
Que o tempo seja o sinônimo de poder realizar e que o infinito, na sua pluralidade, possa criar e recriar faces amadas;
Que as certezas encantem a alma inocente, que indiferente, de repente, na sua esplêndida loucura venha abraçar a lua;
Que o canto não seja um pranto e que o som brando seja o adejo que prenuncie depois do amor um terno beijo;
Que a vaidade exista sim - mas que venha despida do egoísmo e da soberba;
Que as sombras sirvam apenas como ponto de parada não de chegada e que a luz seja o lume que norteia as curvas do caminho;
Que a mocidade não se perca nas horas contadas e recontadas e que o coração se revista e resista na eterna esperança, em abundância;
Que os sonhos sejam a aurora que mora faustísssima e faça do ser e do ter real significado.
Que o sorriso e o franco riso carreguem de ternura a ventura que fulgura e propicia a alegria pura.
Que o amor indômito, em festa, manifeste os sentimentos e que os desejos sejam a harmonia que vibra, eleva e dá dignidade a alma.
Que a maldade fique aquém e além e que se faça sempre o bem para alguém;
Que as amizades estejam sempre presentes e que não falte nunca ombros amigos;
Que as mãos se estendam em direção a outras mãos e que a inclusão esteja presente no coração de todos;
Que o trabalho seja a fonte da vocação e o condão da realização;
Que a viagem seja uma trilha luminosa e que os pés, ao sair do ninho, no compasso, acertem o passo, e na sua inevitabilidade emprestem a marcha, o brilho das estrelas, o sabor do vento, o calor do sol, o conforto da humanidade e o preciosismo da vitória.
Enfim, que a paz seja a constante de todo instante.

domingo, 5 de dezembro de 2010

MEU SONHO DE MENINA


Existem fatos marcantes prensados, amalgamados e desbotados, mas não perdidos na memória.
Estranho que tantos anos depois, num dia chuvoso, cinzento como o de hoje, venho a reviver aqueles dias de outrora, vislumbrando a pequena sala do Jardim de Infância e os olhares inocentes atentos, de nós, as criancinhas, que maravilhadas acompanhavam o ritual mágico que representava a abertura do armário de brinquedos. Era como se desvendar fosse a misteriosa caixa de Pandora.
Deslumbradas, olhos, acesos, esperávamos ansiosas na expectativa da renovação dos segredos e da magia, das engrenagens, que faziam movimentar aqueles estranhos brinquedos.
Ah! Mundo encantado do faz de conta!
Aquela bailarina, sempre se destacava entre as outras bonecas de louça. Foi aí que tudo começou. O imaginário despertava a menina sonhadora e a mulher que hoje sou.
Ser bailarina – ebriado sonho de menina. Brilhar num palco, iluminado, vestida, tal qual a boneca bailarina - cintilante, alada adejando gloriosa e esvoaçante numa dança fulgidia e arrebatada por loucos sons de uma música triunfante.
Lindo, pródigo sonho de minha infância, que envolto com laços de inocentes esperanças, desde o início, na cidadezinha do interior, fadado a não prosperar.
Mesmo desfeito o sonho doce é o reviver, o reunir fragmentos da história, porque se não fossem as lembranças o tempo não teria nenhum sentido.
O sonho pueril da menina se perdeu nos meandros da vida. Outros foram–se somando e, no final, deram a vida o brilho esperado.
Na verdade nunca desesperançados, somos todos na vida – sobreviventes.(Texto : Eloah Westphalen Naschenweng)