quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Carta aberta para um amigo



Quão sábios são os desígnos de Deus a definir caminhadas!

A vida nos reserva no decorrer de suas andanças e embates, decepções e desgostos – mas também nos brinda com o sabor da surpresa, do sucesso e da vitória,
Quanta experiência e sabedoria adquirida na vivência lado a lado, dia a dia, com as diferenças que permeiam a alma humana!
A lição de vida que se impõe, nem sempre é a mensagem procurada e esperada. O cotidiano nas suas diversas facetas nos causa perplexidade, caminhos inversos, rumos inesperados, agitação e mensagens obscuras. Mas sempre é tempo de refletir, mudar de rumo e de ritmo procurar novas esquinas, novas paragens inspiradoras, transpor fronteiras, repor energias, e renascido sair em busca de novos sóis.
Um grande homem se destaca sempre, em quaisquer circunstâncias, mesmo as mais adversas, porque a honradez, a seriedade, o trabalho, a humildade, a perseverança, a confiança, a emoção e os sonhos são parte constante e inerente da sua caminhada.
És e serás sempre um vencedor. Escolha e batalha de vida.
Graça de viver e certeza de que a vida é e será o que dela fizerdes. (E.W.N)

domingo, 19 de setembro de 2010

RECOMEÇO

(Vendimia de Rioja)


Todo dia é um recomeço.
Recomeço das fundas e profundas esperanças
Que fazem um sol poente, do viver.
Todo dia é um recomeço
Recomeço da ansiedade que esquece e segrega os sonhos
E, impotente, torna o coração.
Dos desejos generosos e profundos
Que além do infinito nos fazem voar,
Aclaram os sentimentos,
Que desvairados ou contidos
Saciam o corpo, a alma e o coração.

Inevitabilidade e cadência do viver,
O recomeço – é a chama, a cura permanente,
Que empresta ao espírito,
delírio
encanto
mistério
E torna a vida, sempre nova e imortal.
( E.W.N)


terça-feira, 7 de setembro de 2010

NEM SEMPRE

Nem sempre o bastante é o suficiente
E o poder do amor, primavera.
Nem sempre o sorriso é o bálsamo da procura
E o estar só, caminho solitário.

Nem sempre a aurora peregrina é luz divina
E o tempo, perfeito lume.
Nem sempre o carinho é festa
E a mão, um gesto terno.

Nem sempre a noite é estrela guia
E a escuridão, perfeito esconderijo.
Nem sempre o lamento é um grito
E a música, uma visão sonora.

Nem sempre o coração é cadenciado solo
E o encanto, um belo sonho.
Nem sempre a poesia é uma quimera
E saudades, uma simples espera.

Nem sempre o gozo é rima fulgida
E o corpo, delírio puro.
Nem sempre a vida é seara abundante
E os caminhos, veredas repousantes.

Nem sempre o olhar é um sobejo beijo
E a alma, gentil e luminosa.
Nem sempre o efêmero é curto espaço e prefácio
E o eterno, verdadeiro.

Nem sempre o orgulho é fonte cristalina
E o que nos falta, a nós escapa.
Nem sempre a ilusão é fantasia indefinida
E as sombras, uma nuvem perdida.

Nem sempre o amor é insano
E a dor, perda ou dano.
Mas sempre é sublime canto
Hora da aurora - augusto e muito humano.
(Eloah W.N.)



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

POEMA QUIETO

 

         Deixe que o silêncio discorra por nós
e ache as respostas,
que nos beije o peito,
que nos coce as costas
e nos de o direito de calar
o tempo.

Deixe que ele cubra o momento
e se distenda leve
como um lençol de renda;
que seja arguto o bastante
para impedir o instante de ser breve.
Deixe que o silêncio nos proteja.
Pra que ninguém escute,
nada se revele
e possamos trocar as nossas peles
sem que a censura veja.

(Flora Fiqueiredo)