sexta-feira, 22 de março de 2013

Te Quero




Te quero  tocar por inteiro nas minhas lembranças,
Reviver de forma lúcida e generosa a dimensão misteriosa dos meus sentimentos.

Romper as amarras e os abraços clandestinos, apressados e a aventura perdida no submundo das saudades.

Comovida, assombrada com a beleza dos versos infinitos, enovelados e recuperados, te quero bem perto, além dos cantos obscuros e tão poucos visitados.

Te quero nesta dança louca  atenta aos ruídos da alma , eivada de esperança, para buscar nos sonhos perdidos e retalhados o repouso e a doçura desejada.

Asas soltas ao vento, loucura invisível ou elegia  derradeira, mas imperecível , no ritmo das nuvens, te quero ,não expectador mas protagonista do ponto central das nossas vidas.

Simples assim.



sábado, 16 de março de 2013

Inocência



Um vulto aparece.
A criança que existe em todos nós, sorri.
O vulto saltitante estremece, para, olha, continua.
Canções , letras e notas vibram
E a criança que existe em nós, sorri.
Borboletas esvoaçantes, folhas,
Tonalidades, nuvens e flores encantam
E a criança que existe em nós, sorri.

Tijolo a tijolo, numa mistura de sonhos e esperanças vamos
Construindo, palmo a palmo
Um fulgurante castelo
E a criança que existe em nós, sorri.
O vulto também sorri.
As nuvens dançarinas eternas expiam o vulto
E entre a coreografia da natureza o céu se tinge de anil.
O vulto que é menino sente o coraçãozinho se encher de
Felicidade.
E, então, a ternura vai penetrando devagarinho,
Se aconchegando, se instalando,
E no âmago a beleza de ser gente
Começa a vibrar.

Os dias caminham, caminham
O tempo que para nós tem idade, envelhece.
As nuvens dançarinas eternas chocam-se e de seus olhos
Mil lágrimas se derramam.
O vulto que era menino
Se perde entre as flores estateladas na sarjeta,
E a criança que existe em nós,
Não sorri mais...



quarta-feira, 6 de março de 2013

Nós as Mulheres




Dia Internacional da Mulher.
Minha Homenagem a todas as mulheres


Abro um espaço e no ócio tão raro e precioso, reflito, percorro o tempo e penso nos transtornos que acarretamos, nós as mulheres na ordem do mundo, desde que num ato de rebeldia consciente resolvemos mudar o curso de nossas vidas, quebrar as sequências e reavaliar os valores.
Que trabalho aprontamos com essa generalizada bagunça. Afinal, de nós foi sempre  esperado: o abrigo, o prazer, o conforto, o tempo e o sagrado posto de esposa e mãe.
É verdade que levamos conosco a dádiva de ser mulher, procriar e o dom de possuir esse sentimento pleno, avassalador, insubstituível que nos toma conta por inteiro e nos suga minuto a minuto a vida toda. Mas a par da plenitude e da beleza incorporada que nos encanta e alimenta - e não abrimos mãos de vivê-lo - traz na bagagem fartas exigências, cobranças e responsabilidades que vão proliferando-se ao longo do tempo e juntando-se a sentimentos de tantas e quantas culpas imaginadas, mas reais, porque nos fizeram acreditar que a perfeição leva a perfeição e que o dever está em primeiro lugar.
E o tempo?
Ah! Precioso tempo. Esse tempo que contamos, puxamos e esticamos,  desdobramos, muitas vezes, no afã de achar tempo para correr - e isso exige que sejamos as atletas que não somos - atrás de outras realizações pessoais, tão nossas e, vezes sem conta, impraticáveis porque não temos tempo.
São elos que se interligam com novos elos compondo densas correntes, e que nos acompanham e aos nossos conflitantes e arraigados valores vida afora.
       São tantas as amarras, difícil e espinhosa tem sido a mudança por mais tênue que seja. Mas sabemos que estamos abrindo caminhos e que abrir caminhos nunca deu leveza aos passos.
Energizadas e impulsionadas pelo desafio e a tenacidade engendrada no dia a dia, continuamos a persistir motivadas e fortalecidas.
Sabemos, também, que somos muitas e que de todas as maneiras, diferentes maneiras estamos paulatinamente, abrindo uma brecha à luz do mundo para que possamos iguais em direito, mesmo parte de outros sonhos buscar em outras plagas os nossos tão sonhados sonhos.