quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Deixe-me



Deixe- me perceber a vida calada, assombrada e admirada, para margeá-la de esperanças e fundi-la no silêncio impenetrável da alma.

Deixe-me explorar as acres brisas das noites e a beleza sombria e incongruente da terra mergulhada na névoa, para fazer deste atalho  uma nova direção.

Deixe-me esquivar do susto, do medo, do sono e do tédio que existe e ferve dentro de mim para que eu me reconheça.

Deixe-me dar passagem a desfocada imagem dos afetos escorregadios que buscam alcançar-me  para travar um novo diálogo com a vida.

Deixe-me de pé na janela emprestar ao meu olhar o deslumbramento em direção à luz do mundo para encantar-me com o desabrochar e a libertade.

Deixe-me reter os sonhos, as bandeiras moldadas e idealizadas, os aplausos e os deslumbrantes voos da imaginação, para que no arrebatamento possa sentir a mágica perfeita do amor.

Deixe-me prostrar em oração para  fazer da prece benfazeja  o  agasalho contra as intempéries da vida que haverão certamente de vir .


Enfim, deixe-me ser feliz!


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Doces Laços



Ouço os sons do meu coração. 
É tua presença que me inspira.

De repente  a vida num sorriso generoso ilumina-se e contagia-se de miraculosa loucura.

O que arrebata são os afagos, doces laços suspensos pela graça inesperada.

Ávida, quero sorver sorrateiramente um mar imprevisível de felicidade.

Atraída pelo delírio e fascinada, transbordo e me enrolo nesta harmonia de sentimentos.

Recosto-me no tempo para aguardar a luz leve e sutil que desenha, enleia e se instala no meu coração.

Perco-me neste nosso momento. A alma voa e nas mãos trago-te meus versos estrelados.